R7 Meu Estilo Só 20% das pessoas buscam falar com quem pensa diferente

Só 20% das pessoas buscam falar com quem pensa diferente

Pesquisa realizada pelo Instituto Avon e o site PapodeHomem revelou as principais dificuldades que impedem o diálogo sobre gênero

Só 20% das pessoas estão dispostas a falar com quem pensa diferente

A agressividade é o principal obstáculo para o diálogo

A agressividade é o principal obstáculo para o diálogo

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Está cada vez mais difícil conversar, seja nas redes sociais, como o Facebook, nos grupos de Whatsapp ou em um almoço de família, quando se colocam à mesa pessoas que não concordam em tudo.

As conquistas das mulheres muito além das armadilhas

A impressão é de que todo mundo desaprendeu a dialogar, a ouvir o outro e, principalmente, a respeitar a opinião diversa da sua. Se o assunto for questões de gênero, então, pode se preparar para uma guerra.

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No entanto, pesquisa realizada pelo Instituto Avon e pelo PdH Insights, braço de pesquisa do PapodeHomem, divulgada no 6º Fórum Fale Sem Medo, realizado nesta sexta-feira (29), em São Paulo, mostra que 70% dos brasileiros acreditam que ter conversas sobre temas de gênero com quem pensa muito diferente é positivo. Metade dos entrevistados gostariam de fazê-lo de maneira mais frequente, mas apenas 20% realmente buscam dialogar com quem pensa diferente.

Homens precisam se comportar e não fazer piada machista

O estudo “Derrubando muros e construindo pontes: como conversar com quem pensa muito diferente de nós sobre gênero?” ouviu mais de 9 mil homens e mulheres entre 18 e 59 anos. E mostra que, entre os obstáculos, o principal é a agressividade das conversas, apontado por 64% dos entrevistados, seguido por radicalismo e falta de energia. Quase 40% dizem que a falta de empatia do outro lado também é um problema, mas apenas 8% reconhecem que a própria falta de empatia.

É preciso ter mais "construtores de pontes",  conclui o estudo

É preciso ter mais "construtores de pontes", conclui o estudo

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As mulheres não heterossexuais jovens são as que mais ativamente, e com regularidade, conversam com quem pensa diferente. Elas fazem parte do que os pesquisadores chamaram de "Construtores de pontes”, um dos três grandes perfis traçados pela pesquisa.

São pessoas que acreditam muito no diálogo sobre temas de gênero como ferramenta de transformação e representam 15% da população. Também consomem conteúdos contra e a favor de seus pontos de vista e têm maior representatividade no grupo de pessoas pró-feminismo.

No segundo grupo, chamado “Em trânsito”, se encontra 50% da população, indivíduos que têm níveis intermediários de busca por diálogo, possuem certa crença na força da conversa sobre temas de gênero, mas nem sempre são pacientes. Essas pessoas se cansam mais, mas costumam sentir alegria quando compartilham algo que outra pessoa ainda não sabia.

Do terceiro grupo, “Entre muros”, fazem parte 35% dos brasileiros entrevistados. São aqueles que optam por não manter conversas com quem pensa diferente, evitam conteúdos que divirjam das suas crenças e acreditam menos no diálogo como impulsionador de mudanças.

A região Sul é a que possui a maior porcentagem de pessoas “Entre muros”, enquanto a região Nordeste possui a maior concentração de pessoas “Em trânsito”. O Norte concentra o maior número de “Construtores de pontes” ainda que, de acordo com a pesquisa, tenha sido a região que menos apoia o feminismo.

O estudo mostra ainda que um número expressivo da população compreende o significado de feminismo: quase 60% dos entrevistados o definiram como “um movimento necessário de defesa por direitos e oportunidades iguais para homens e mulheres”, taxa que chega a 81% entre mulheres homo e bissexuais.

Menos de 1% das pessoas disse não saber o que é feminismo, embora uma parcela significativa, mais de 16%, ainda confunda seu significado, achando que se trata de “defesa de superioridade das mulheres sobre os homens” ou “o oposto do machismo”.

“Apesar da sensação de recrudescimento da intolerância, nossa pesquisa prova que muita gente acredita no diálogo. Conversar com quem pensa diferente é trabalhoso, requer prática e persistência, mas, como mostram os números, não só é benéfico, mas desejado por metade da população”, diz Guilherme N. Valadares fundador do PapodeHomem.

Mafoane Odara, ativista e coordenadora do Instituto Avon, afirma que existe uma ideia generalizada de que é cada vez mais difícil tentar conversar com quem tem uma opinião avessa à nossa, mas a pesquisa indica o oposto. 

"Os brasileiros estão dispostos a dialogar com quem pensa diferente para construir soluções benéficas a todos. Precisamos de mais construtores de pontes, e criar espaços e oportunidades de diálogo é fundamental para que essa transformação ocorra”, analisa. "Dialogar não é acreditar que a conversa vai dar certo, é acreditar que ela vale a pena."