R7 Meu Estilo Relacionamento abusivo também pode transformar filhas em vítimas 

Relacionamento abusivo também pode transformar filhas em vítimas 

Ciúme doentio do pai relatado por Isabela Tibcherani é tão grave como o dos relacionamentos amorosos

Relacionamento abusivo também pode transformar filhas em vítimas

Ciúme do pai foi fatal para o namoro de Isabela

Ciúme do pai foi fatal para o namoro de Isabela

Reprodução/vídeo

"Com meus 18 anos de vida, eu não vivi muito, mas... ao mesmo tempo, eu vivi bastante. Muita coisa ruim já aconteceu na minha vida."

A frase dita por Isabela Tibcherani, em entrevista a Reinaldo Gottino no Balanço Geral desta segunda-feira (10), é reveladora.

A jovem, cujo pai matou a tiros seu namorado, o ator Rafael Henrique Miguel, e os pais dele não entrou em detalhes de quais sofrimentos seriam esses, mas uma coisa é certa: ela era vítima de um relacionamento abusivo protagonizado pelo genitor, Paulo Curpertino. 

Assim como ocorre nos relacionamentos amorosos, o ciúme doentio e o comportamento possessivo do pai, que ela contou ser submetida, juntamente com a mãe, é tipico de abusadores, agressores e assassinos de mulheres. A esposa, eles espancam. As filhas, eles oprimem. "Não era só comigo, mas com minha mãe também. Ele é misógino, agressor, odeia mulheres", admitiu Isabela. 

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Não dá para saber a que tipo de comportamento ela sobreviveu, mas a reação deste homem diante do namorado da filha e da família dele não deixa dúvidas de que ele exercia o controle com base na violência e na grave ameaça. Rafael, conforme revelou Isabela em suas redes sociais, teria ido à sua casa para pedi-la em casamento. O pai sequer aceitava o namoro.

O rapaz e os pais estavam no portão quando Cupertino chegou, mandou a filha entrar em casa e atirou. "Juro que o máximo que achei que fosse possível ele fazer seria agredir, sair no braço, mas ele não deu nem chance, ele já tinha planejado isso, tenho certeza", afirmou Isabela.

A estrutura de uma relação abusiva que se instaura entre pais e filhas é semelhante ao roteiro de terror vivido em uma relação amorosa, com o agravante de que o poder sobre a vítima é exercido desde a infância e pode se agravar na adolescência. Impedir a filha de sair, de usar determinadas roupas, de se relacionar com quem quer que seja é a forma de revestir o ciúme desmedido com cuidados paternos, camuflando como amor o que não passa de abuso psicológico. "Ele nunca aprovou minha felicidade", resumiu Isabela.

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A mãe, possivelmente outra vítima do massacre físico e mental cometido por este homem, não está do lado da filha. Como tantas mulheres submetidas a essa engrenagem, elas não enxergam e não admitem para si mesmas que o homem que amam pode ser um agressor. Se sentem culpadas pela violência que sofrem. E têm medo. Não há como saber se é o caso desta mãe, que abandonou a filha à própria sorte, mas talvez isso explique seu silêncio diante de uma tragédia tão avassaladora. 

Da mesma forma que o ciúme doentio não é normal em uma relação homem e mulher, também não tem justificativa entre pai e filha. É apenas resultado do tal machismo estrutural, que faz os homens acreditarem e agirem como donos de suas mulheres. O sentimento de posse quando desafiado sempre tem um desfecho trágico. 

Veja, abaixo, a entrevista exclusiva de Isabela Tibcherani ao Balanço Geral.