Patricia Lages Do culto à magreza até manequins obesas, vale tudo para vender

Do culto à magreza até manequins obesas, vale tudo para vender

Vitrines de lojas esportivas expõem roupas fitness em manequins de tamanhos grandes vendendo a ideia perigosa de que a obesidade é saudável

O perigo da venda da obesidade saudável

O perigo da venda da obesidade saudável

Pixabay

Para vender mais, vale tudo. Essa é a lei da indústria e da publicidade que, de tempos em tempos, aparecem com novidades para chocar, provocar ou posarem de politicamente corretas aparentemente “defendendo” alguma causa. Mas que ninguém se engane, pois o objetivo no final das contas é angariar mais clientes e aumentar as vendas.

Nenhuma empresa vai dispor de verba publicitária por puro altruísmo, ainda mais nos dias de hoje onde a concorrência é enorme e as grandes marcas lutam dia a dia para manterem os altos custos de suas lojas físicas enquanto enfrentam a evasão de clientes que têm migrado para as compras on-line.

Fora da loja, os clientes não estão sob influência de todas as estratégias de marketing desenvolvidas ao longo do tempo. Não há vendedores para instigar a venda, nem aquele jogo de luz dos provadores onde sempre ficamos mais interessantes e dispostas a pagar o que for para levar aquela imagem do espelho que, em alguns casos, tem um tratamento que nos faz parecer mais magras e altas.

A novidade agora é exibir nas vitrines de lojas esportivas manequins obesas vestindo trajes esportivos com um discurso de liberdade, inspiração, aceitação e vida saudável. O problema é que a obesidade está matando mulheres como nunca. Um estudo financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates aponta que mais de 600 milhões de adultos estão obesos, além de cerca de 110 milhões de crianças. As doenças causadas pela obesidade matam mais do que acidentes de carro e homicídios, portanto, o problema não reside em aceitar ser como é, mas sim, em manter-se saudável.

Você já imaginou uma campanha ignorando totalmente as mortes por acidentes de carro, promovendo a “liberdade” de dirigir sem cinto de segurança? Sua roupa não vai amassar, você vai poder se movimentar melhor e até levar seu bebê no colo, sem precisar de cadeirinha! Seria inimaginável, não é mesmo? Então, por que fazer isso com a mulher obesa? Por que, depois de tanto culto à magreza extrema, agora querem cultuar a obesidade? A verdade é que equilíbrio e realidade não são boas palavras para a publicidade. O que ela quer “vender” é felicidade, afinal de contas, felicidade não tem preço!

O que a publicidade tem feito durante décadas, é dizer que só se é feliz sendo tamanho 36. Quantas adolescentes já perderam a vida ficando sem comer ou fazendo dietas altamente perigosas. Promover a obesidade é igualmente perigoso.

Estar acima do peso requer, em muitos casos, exercícios físicos e ter a roupa adequada ao tamanho é positivo. Porém, difundir amplamente que pessoas obesas podem correr normalmente, praticar qualquer tipo de esporte e aceitarem o peso que têm sem se preocuparem com a saúde chega a ser irresponsável. Todas as pessoas têm direito a encontrar roupas adequadas ao seu tamanho, seja ele qual for, porém, o perigo está em vender a ideia de que viver muito acima do peso não representa perigo algum, desde qua a pessoa se aceite.

Assim como é perigoso o culto à magreza extrema, o movimento da aceitação da obesidade – que prega que qualquer peso é saudável, desde que ele seja seu – também não é benéfico às mulheres. Onde está o meio-termo? Por que os manequins nas vitrines têm de ser 36 ou 52? Por que a “imagem ideal” nunca é realmente saudável? Por que nós, mulheres, estamos sempre sendo alvos de campanhas que vendem mentiras em embalagens atraentes? Até quando?

Patricia Lages

É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel.  É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. Ministra cursos e palestras, tendo se apresentado no evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard (2014). Na TV, apresenta os quadros "Economia doméstica" no programa "Mulheres" TV Gazeta e Record TV e "Economia a Dois" na Escola do Amor, Record TV. Na internet mantém o canal "Patrícia Lages - Dicas de Economia", com vídeos todas as segundas e quartas.

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