Patricia Lages Análise: Você foi programado para ser pobre

Análise: Você foi programado para ser pobre

Desde crianças aprendemos conceitos e práticas que, inconscientemente, nos levam a aceitar e conviver com a pobreza. Como mudar isso?

Os mais “sortudos” serão funcionários de grandes empresas

Os mais “sortudos” serão funcionários de grandes empresas

Pixabay

O que mais percebo nesses anos todos que tenho trabalhado como educadora financeira é o quanto as pessoas estão programadas para serem e/ou continuarem sendo pobres. Desde crianças ouvimos nossos pais dizerem frases como: “não tenho dinheiro”, “isso é coisa de rico, não é para o nosso bico”, “se contente com o que já tem!”.

Por mais que não ter dinheiro seja a verdade naquele momento, ou que a criança tenha pedido algo muito caro, ou ainda, que ela deva ser grata ao que tem, esse tipo de frase, além de não educar a criança, acaba agindo como um limitador. É como se, aos poucos, as crianças tivessem seus sonhos podados e fossem colocadas dentro de uma caixa transparente onde elas podem ver a riqueza, mas não podem ter acesso a ela.

Ao chegar na escola, a coisa só piora. É lá que aprendemos a nos preparar para sermos empregados de alguém. Os mais “sortudos” serão funcionários de grandes empresas, enquanto a maioria vai ter de se contentar com um trabalho que, pelo menos, pague as contas. Mesmo nas profissões de maior destaque como médicos, advogados, o que é ensinado é nada mais do que a especialidade, mas jamais como fazer dinheiro com aquela profissão.

Nós simplesmente não aprendemos a gerar riqueza, não somos estimulados a pensar grande, nem muito menos a realizar coisas que possam fazer a diferença. Muito pelo contrário! A pessoa que pensa grande é ridicularizada e chamada de maluca.

Apresentei um projeto de lei (PL 628/2017), apoiado pelo vereador André Santos (PRB), criando o Programa de Educação Financeira Infantil na rede municipal de ensino de São Paulo. Aliás, fica aqui registrada a observação de que você, como cidadão, pode e deve bater na porta do seu vereador e propor ideias, projetos e melhorias na sua cidade. Esse é um dever de todos porque o cargo político dura apenas quatro anos, mas nós somos e sempre seremos moradores de alguma cidade.

Sobre o nosso projeto, foi vetado. É claro que este não foi o único e nem mesmo o primeiro projeto nesse sentido, mas há uma barreira que impede que algo tão obviamente necessário saia do papel. Pais e educadores são unânimes em reconhecer a importância das finanças nas escolas, porém, nenhum governo foi capaz de incluir essa disciplina, ao passo que já incluiu outras totalmente desnecessárias.

Restam as perguntas: por que será? Por que os governos não incentivam que as pessoas saibam cuidar bem do seu dinheiro? Por que os poucos que se aventuram a empreender se veem soterrados em meio aos escombros da burocracia e dos impostos absurdamente altos? Por que ainda somos ensinados a depender de um emprego mesmo quando os índices de desemprego seguem batendo recordes atrás de recordes?

Para que a grande maioria continue sendo pobre. Essa é a minha resposta para todas essas perguntas. Se você entender como cuidar bem do seu dinheiro, vai parar de comprar tudo financiado, pagando o dobro do que as coisas custam. Se você não parar de gastar mais do que ganha e continuar dependendo de cheque especial e cartão de crédito, vai ser muito fácil mantê-lo sob controle. Se você ficar feliz com o churrasco de fim de semana (comprado no crédito) e em assistir uma TV de tela grande, não se importando com o tamanho do carnê que vem junto, ótimo!

Você vai continuar enriquecendo os ricos, morrendo de medo de perder o pouco que tem e perpetuando a pobreza que impera neste país. Quebre o ciclo! Eduque-se, viva de acordo com as suas condições e lute para crescer sem depender de crédito a juros exorbitantes. Você pode, resta saber se crê e está disposto.

Patricia Lages

É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel.  É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo, palestrante e conferencista do evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard. Apresenta quadros de economia na TV Gazeta e Record TV e é facilitadora da RME para o programa mundial WomenWill – Cresça com o Google.

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