Patricia Lages Análise: Violência doméstica, onde estamos e para onde vamos

Análise: Violência doméstica, onde estamos e para onde vamos

Há 13 anos em vigor, a Lei Maria da Penha é considerada uma das três melhores legislações do mundo para coibir a violência contra a mulher

Em casos de violência contra a mulher, é preciso romper o silêncio

Em casos de violência contra a mulher, é preciso romper o silêncio

Foto: Pexels.com

A violência contra a mulher não escolhe classe social, grau de instrução, cultura, raça ou sobrenome. Ela se faz presente tanto em famílias desconhecidas que habitam os locais mais remotos do país, até nas mais abastadas e famosas que frequentemente saem das colunas sociais para estamparem as páginas policiais.

A Lei Maria da Penha aponta quatro tipos de violência doméstica: física, psicológica, sexual e patrimonial e moral. Normalmente, as agressões físicas começam de forma sutil. O controle imposto à mulher é confundido com cuidado, o ciúme é visto como zelo, o levantar da voz e a destruição de objetos no lar são considerados válvulas de escape para o estresse.

Ações dessa natureza, que caracterizam violência psicológica, infiltram-se nos relacionamentos pouco a pouco e, com o passar do tempo, abrem as portas para outros tipos de agressões. A aceitação dessas formas de violência está enraizada em muitas culturas sem que as pessoas se deem conta. Muitas novelas e filmes costumam romantizar as reconciliações depois de brigas repletas de gritarias, insultos pesados e até mesmo empurrões e tapas.

As agressões físicas conferem ainda mais controle ao homem violento e, em diversos casos, culminam na violência sexual, o que torna ainda mais difícil para a mulher discernir o que é aceitável em um relacionamento e o que não é. Muitas têm convivido com situações de violência pela pressão da sociedade e/ou por não terem condições financeiras para colocar um ponto final no relacionamento.

A falta de apoio — muitas vezes da própria família — e o julgamento por parte da sociedade — muitas vezes por parte de outras mulheres — faz com que a maioria das vítimas não busque ajuda. Porém, é preciso romper o silêncio e colocar verdadeiramente em prática a fala “mexeu com uma, mexeu com todas”.

Se você tem sido vítima de violência doméstica ou conhece alguma mulher nessa situação, quebre o ciclo. Busque ajuda o quanto antes, pois além de leis que garantem a integridade da mulher, há grupos especializados com profissionais multidisciplinares dispostos a estender as mãos voluntariamente sem julgamentos ou críticas. É preciso romper o silêncio, quebrar o ciclo de violência e praticar verdadeiramente a sororidade.

Para saber como buscar ajuda ou como auxiliar mulheres em situações de vulnerabilidade, conheça o Projeto Raabe.

Patrícia Lages

É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. Autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. Ministra cursos e palestras, tendo se apresentado no evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard (2014). Na TV, apresenta os quadros “Economia Doméstica” no programa Mulheres, TV Gazeta e “Economia a Dois” na Escola do Amor, Record TV. Na internet, mantém o canal “Patricia Lages – Dicas de Economia” com vídeos todas as segundas e quartas.

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