Patricia Lages Análise: A ditadura do propósito no empreendedorismo feminino

Análise: A ditadura do propósito no empreendedorismo feminino

Em diversos eventos de negócios para mulheres há uma cobrança insistente para que seus projetos tenham propósito em detrimento do lucro. Mas como sobreviver no mercado? 

Mulheres às voltas co cobrança

Nós, mulheres, realmente estamos sempre às voltas com regras, cobranças e imposições limitantes. Mesmo no meio do empreendedorismo feminino – que muitos movimentos feministas apoiam – temos de conviver com a chamada ditadura do propósito.

Nossos negócios obrigatoriamente têm de ter propósitos de ajuda ao próximo, de apoio a projetos voluntários e somos cobradas – pelos próprios movimentos femininos – a trabalharmos “pela causa”, seja ela qual for. Mas a pergunta é: que negócio sobrevive dessa forma?

Negócios femininos, entre os lucros e o propósito

Negócios femininos, entre os lucros e o propósito

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Nos mesmos eventos onde nos é cobrado o tal trabalho com propósito em detrimento do lucro, nos são apresentadas estatísticas que apontam que as empresas femininas têm vida curta. Por que será?

Nós, mulheres, temos em nós mesmas o desejo de ajudar, de estender a mão e de fazer crescer quem está ao nosso redor. Porém, é impossível que qualquer empresa subsista se não gerar lucro. E, embora isso seja óbvio, muitos movimentos que dizem ajudar a mulher empreendedora têm empurrado esse conceito contra o lucro e em prol do voluntariado em seus discursos.

Para piorar, quando uma se recusa a doar seu trabalho e, em lugar de aceitar mais um convite para atuar gratuitamente “pela causa” envia um orçamento, é julgada como mercenária, antifeminista, inimiga do movimento e por aí vai. Falo por experiência própria.

A verdade é que as mulheres ainda não conseguiram encontrar um caminho sem culpas, sem ter de carregar fardos (que as próprias mulheres impõem a si mesmas e às outras) e sem serem julgadas por tudo e por todos.

A mulher empreendedora enfrenta lutas diferentes do homem empreendedor, não há dúvida, por isso, movimentos de apoio ao empreendedorismo feminino são necessários. Porém, é preciso estender a mão para aliviar o peso e não para aumentar a carga.

Infelizmente, o uso de diversos movimentos femininos para fins de polarização política tem sido muito mais frequente do que o objetivo inicial de empoderar a mulher que deseja ser dona de seu próprio negócio.

Para esses movimentos que impõe, mais esse fardo, fica a dica: antes de cobrar propósito em detrimento do lucro é preciso não abandonar seus próprios propósitos em detrimento de agradar esquerda ou direita. Afinal de contas, deveríamos estar todas do mesmo lado.

Patrícia Lages

É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. Autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. Ministra cursos e palestras, tendo se apresentado no evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard (2014). Na TV, apresenta os quadros “Economia Doméstica” no programa Mulheres, TV Gazeta e “Economia a Dois” na Escola do Amor, Record TV. Na internet, mantém o canal “Patricia Lages – Dicas de Economia” com vídeos todas as segundas e quartas.

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