R7 Meu Estilo Estudante de 17 anos cria aplicativo para combater assédio

Estudante de 17 anos cria aplicativo para combater assédio

Catharina Doria trocou viagem de formatura por financiamento do projeto

  • R7 Meu Estilo | Nathalia Ilovatte, do R7

Catharina quer que mapeamento seja usado para políticas públicas

Catharina quer que mapeamento seja usado para políticas públicas

Arquivo pessoal

Uma adolescente de 17 anos que se cansou de sofrer assédio nas ruas de São Paulo criou um aplicativo para mapear os lugares em que esses abusos são mais cometidos. A estudante Catharina Doria teve a ideia após ser chamada de “gostosa” por um homem 30 anos mais velho.

— Sabe aquele dia que dá tudo errado? Ainda era de manhã, eu tinha um monte de trabalho para entregar e o dia tinha só começado. Aí eu estava andando na rua e um cara de uns 50 anos começou a me assediar, me chamou de gostosa, falou todas as porcarias que um cara fala.

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Catharina pensou em responder à altura, mas ficou com medo de uma agressão maior e deixou por isso mesmo. À noite, ainda remoendo o abuso que sofreu, falou para a irmã: “e se eu criasse um aplicativo que mapeasse o assédio?”

Falou com amigos designers e desenvolvedores e explicou que não tinha dinheiro, mas tinha uma ideia. Eles aceitaram ajudar.

Dois meses depois que Catharina e os amigos começaram a fazer o aplicativo Sai Pra Lá, os amigos dela da escola começaram a planejar a viagem de formatura. O destino escolhido foi Cancún, e a estudante teve a ideia de conversar com a mãe.

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— Perguntei para a minha mãe se ela topava pagar meu aplicativo em vez da minha viagem de formatura. Ela questionou 50 vezes se eu não ia ficar chateada, e topou.

Seis dias depois do lançamento do Sai Pra Lá, o aplicativo já foi baixado por 30 mil pessoas e tem mais de seis mil relatos de assédio. Pelo celular, é possível visualizar um mapa marcado com os lugares em que cada cantada aconteceu.

Em breve, Catharina pretende levar os dados levantados às autoridades para pedir que algo seja feito.

— A gente tem leis contra o assédio, mas acho que são muito abertas. Então acredito em uma remodelação das leis, em campanhas nas ruas para que essas leis sejam levadas a sério e para que as pessoas tenham uma conscientização maior de que é crime. Hoje em dia o assédio é algo muito cotidiano, então se o governo colocasse multa, as pessoas parariam de assediar. Isso em curto termo, mas a longo prazo acho que deveriam colocar em pauta nas escolas públicas e privadas a violência contra a mulher.

Catharina, que contou já ser feminista há algum tempo graças a textos e grupos das redes sociais, não pretende ganhar dinheiro com o Sai Pra Lá. Ela já lançou campanha de financiamento coletivo, mas para bancar as despesas de manutenção.

Mesmo assim, ainda tem esperança de conseguir ganhar dinheiro até julho de 2016 para viajar com os amigos.

— Mas, se não der, tudo bem. Já estou muito feliz com o aplicativo.

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