R7 Meu Estilo Brasileiro se diz negro por causa da cota, mas isso é bom

Brasileiro se diz negro por causa da cota, mas isso é bom

Nos últimos anos, a questão da negritude ocupou amplos espaços, as comunidades se posicionaram com ênfase e houve alguma mobilidade social

População que se assume como negra foi de 14,5 milhões de pessoas para 19,2 milhões

População que se assume como negra foi de 14,5 milhões de pessoas para 19,2 milhões

Foto: Epitácio Pessoa/Estadão Conteúdo

Tudo indica, as ações afirmativas governamentais – em especial, a política de cotas – para negros no Brasil têm surtido efeitos positivos. É o que se permite deduzir de alguns números da última Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios): no período de 2012 e 2018, o percentual de brasileiros que se declarou preto ou pardo aumentou em todas as regiões do País. A auto-estima e a aceitação racial não surgem do nada.

Segundo esse levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nos seis anos analisados, numa sólida curva ascendente, a população que passou a se assumir como preta saltou de 14,5 milhões de pessoas para 19,2 milhões. Um expressivo aumento de 32,1%. 

A série histórica também mostra um aumento daqueles que se declaram pardos: saltaram de 89,6 milhões, em 2012, para 96,7 milhões de pessoas, em 2018 – quando o total de moradores no Brasil era de 207,8 milhões. 

Essa visão otimista sobre alguma maior inserção do negro na sociedade se sustenta bem, a princípio. Inercialmente, não haveria como aumentar a porcentagem dessa participação, em um país cuja miscigenação é marca cultural e étnica.

O que provavelmente houve é um maior conforto diante do aumento da justa visibilidade do negro brasileiro. Nos últimos anos, à parte a inflexão econômica a que todos assistimos, a questão da negritude ocupou amplos espaços de debate, as comunidades se posicionaram com maior ênfase e força e, de fato, muitos vivenciaram alguma mobilidade social.

As cotas raciais nas universidades, sem dúvida, foram determinantes nessa ascensão e reconhecimento. Se as políticas públicas levam o negro em consideração, este mesmo passa também a se reputar, legitimamente.

Nada impede que o debate sobre cotas prospere, inclusive em outras direções, como a de adotar critérios socioeconômicos. O que importa é o Brasil enfrentar seus problemas, desigualdades e desafios de forma franca, sem maquiagens. Somos um país de negros.