Bichos Donos tratam bichos de estimação como filhos e não se importam com preconceito

Donos tratam bichos de estimação como filhos e não se importam com preconceito

Veterinária alerta que mimos podem ser prejudiciais quando não são recomendação médica

Donos tratam bichos de estimação como filhos e não se importam com preconceito

A família Moliterno posa com seus três cachorros

A família Moliterno posa com seus três cachorros

Reprodução/Arquivo Pessoal

Na casa da empresária Luciana Moliterno, uma das prateleiras do guarda-roupa é reservada inteiramente às roupinhas dos filhos dela com o marido, Enzo. Bem, filhos é a maneira carinhosa como ela chama seus três cães da raça king cavalier, Monalisa, Michelangelo e Dora.  

As "crianças", que têm no armário diversas plaquinhas, lacinhos, camisetas, vestidos e até capas de chuva para os dias mais fechados, chegaram na vida do casal há quatro anos. E, como acontece com a maioria das pessoas que tratam seus animais de estimação como crianças, viraram o centro das atenções de Luciana e Enzo.

"Sempre existirá alguém me achando louca, mas não ligo", diz Luciana, que garante não se importar com quem torce o nariz para o seu comportamento em relação aos cãezinhos.

— São pessoas preconceituosas. Acredito que os animais são seres especiais, que nos ensinam muito sobre amor incondicional, companheirismo, fidelidade e amizade. Fico com o pé atrás com quem não gosta dos meus "dogs".

Luciana não está sozinha. Ela é apenas uma entre os milhares de paulistanos que lotam os pet shops de luxo da cidade em busca de produtos e serviços exclusivos — e, obviamente, também bastante caros.

"Tenho sempre que ter novidades", conta Eduardo Bonini, proprietário do AniMall Pet Story.

Na loja de Bonini, onde um banho de ofurô para cachorros e gatos pode custar até R$ 110, estão à venda itens como uma guia retrátil com cristais swarovski por R$ 800, e diversos modelos de carrinho para cães, que custam em média R$ 500, mas que podem chegar a até R$ 1.400.

— Eles vêm buscar todo tipo de mimo: roupinhas, bebedores de acrílico e porcelana, caminhas. Tem cliente, inclusive, que chega a trocar de caminha seis vezes por ano. O cachorro em si não tem essa preocupação, o animal é muito simples. Na verdade, o prazer é da pessoa.

"Vários fatores podem influenciar este tipo de comportamento humano, e cada caso deve ser avaliado particularmente", explica a psicóloga Ana Irene Mendes.

— O limite entre o saudável e o patológico é o prejuízo e sofrimento que o comportamento pode gerar. Sendo assim, é preciso avaliar o que este comportamento está causando ao humano e até mesmo ao animal.

Para a veterinária Maricy Alexandrino, nem sempre tratar um animal de estimação como filho é prejudicial ao bichinho.

— Há indicações médicas para algumas coisas. Por exemplo, cães alérgicos com dermatite de contato se beneficiam do uso de sapatinhos para passeios. Roupinhas em cães de pelo curto e em cidades de clima frio também vão além da estética. O mesmo vale para aquelas condições de pele que o sol pode prejudicar.

Ela alerta, no entanto, para os excessos, como roupas de festas, vestidos de verão, babados e enfeites, cuja intenção seja apenas enfeitar o animal.

— Vai contra a natureza deles e entra na antropomorfização, que é dar ao animal características humanas. Isso prejudica o comportamento dele, que pode se tornar mimado e, por consequência, ansioso, estressado e dominante.

Luciana, no entanto, diz que jamais deixará de ser uma "mãe de cachorros assumida", e continua postando fotos diariamente de Monalisa, Michelangelo e Dora no seu perfil do Facebook.

Nas imagens, os cãezinhos aparecem passeando na rua, em restaurantes, no shopping, posando enquanto comem, dormem ou arrumadinhos para festas.

— O mais importante é que descobri o quanto eles me colocaram em meio a pessoas especiais, que amam demais cachorros e animais. Eles me trouxeram vários amigos.

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