Análise: Amor e dinheiro não se misturam?

A recusa do príncipe Harry em assinar um acordo pré-nupcial em sua união com a atriz americana Meghan Markle reacendeu a discussão sobre qual o melhor regime a se adotar em um casamento

Casamento

O príncipe Harry e sua noive, Meghan Markle

O príncipe Harry e sua noive, Meghan Markle

Foto: Chris Jackson/Chris Jackson/Getty Images – 27.11.2017

Como educadora financeira, sou questionada periodicamente sobre qual regime de bens adotar em um casamento. Na maior parte das vezes, as pessoas acreditam que meu conselho será por optar pelo regime de separação de bens, para salvaguardar as posses de cada um em caso de divórcio. Ledo engano e já explico o motivo.

Apesar de que, aqui no Brasil, não somos tão ligados ao que acontece com a família real britânica, não há como não voltar os olhos para o casamento mais esperado do ano entre um príncipe e uma plebeia. A recusa do príncipe Harry em assinar um acordo pré-nupcial em sua união com a atriz americana Meghan Markle reacendeu a discussão sobre qual o melhor regime a se adotar em um casamento.

O príncipe surpreendeu a opinião pública ao seguir os passos do irmão William, que também se recusou a assinar um acordo pré-nupcial em sua união com Kate Middleton. Fontes próximas à família real relatam que ambos consideraram o acordo irrelevante, pois não têm a intenção de se separarem futuramente. Chega a ser engraçado ler matérias divulgando que Meghan Markle tem um patrimônio de “apenas” 7 milhões de dólares, mas ao comparar com os 54 milhões de seu futuro marido dá até para entender que ela “não é tão rica assim”. Seria compreensível que alguém na posição de príncipe e uma fortuna dessas quisesse se garantir, de alguma forma, de que a outra parte não está agindo por puro interesse, mas não é o caso.

Particularmente, vejo essa decisão de uma forma muito positiva, pois acredito que qualquer tipo de relacionamento que se inicia com um pé atrás, tem uma tendência muito maior a não ser bem-sucedido. Finanças têm tudo a ver com confiança, por isso é bastante comum que uma das primeiras coisas que um casal que considera se separar faz é começar a esconder dinheiro um do outro.

Meu questionamento a respeito desse tema é sempre o mesmo: como casar com alguém que, de cara, não aceita dividir suas posses com quem diz que ama? Como entrar em um relacionamento dessa importância deixando claro que há coisas que não serão compartilhadas? Casamento não é fácil, ainda mais quando a união já começa com algo separando o casal.

Na maior parte das vezes, são os homens que querem que a noiva “prove” que não é interesseira aceitando casar-se sob o regime de separação de bens. Mas não deveria ser o contrário? E outra: se há dúvidas quanto às intenções da outra parte, para que casar? Para cumprir um protocolo, ganhar status na sociedade ou, talvez, para receber uma promoção em uma empresa tradicional? Nenhuma dessas razões me parece motivo para um casamento...

Pior que isso só o fato de que, atualmente, por conta do crescimento financeiro das mulheres, muitas estão passando a fazer a mesma exigência em relação aos noivos. Mais uma vez as mulheres tentam preservar seus direitos imitando péssimos exemplos deixados pelos homens.

Meus votos com respeito ao convívio entre homens e mulheres em qualquer tipo de relacionamento – amizade, profissional ou amoroso – são sempre para que venhamos deixar de agir por vingança. Devolver o mal com o mal não vai fazer de nós pessoas melhores, não é mesmo?

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