Gabriela Pugliesi se envolve em polêmica na web. Dá para confiar nas dicas das blogueiras?

Propaganda velada e falta de orientação médica são questionados nas redes sociais

A transparência dos publiposts de Gabriela foi questionada
A transparência dos publiposts de Gabriela foi questionada Reprodução/ Instagram

Um alimento que ajuda a secar a barriga, um suplemento para dar mais energia durante o treino ou um novo exercício para deixar o “bumbum na nuca”. Aparentemente, ninguém precisa recorrer a um médico ou um personal trainer para perder alguns quilinhos. Essas e outras dicas aparentemente inocentes, além de fáceis de seguir, são encontradas com a rapidez de um clique nos blogs sobre fitness, dieta e vida saudável. 

Mas até onde essa consultoria virtual deve ir na vida de quem está tentando emagrecer? Para a nutricionista Talitta Maciel, do Espaço Reeducação Alimentar, não muito longe.   

—  É necessário tomar muito cuidado ao seguir dicas de dietas de outras pessoas, pois o que serviu e deu certo para um pode ter efeito contrário em outro.  

Nos blogs, além de cada dica ser elaborada apenas para a blogueira que escreve, elas nem sempre são dadas por quem entende do assunto. E, segundo a nutricionista, adotar hábitos supostamente saudáveis sem a orientação de especialistas pode resultar em danos à saúde.  

— Essas informações se tornam perigosas quando as pessoas passam a consumir suplementos ou medicamentos mostrados nos blogs que são de uso específico da blogueira, indicados somente a ela por um profissional. Nos piores casos, até mesmo as próprias blogueiras utilizam suplementos, dietas e treinos sem orientação, o que agrava o risco de seguir as dicas.  

Não se trata de restringir os posts das blogueiras, já que na internet há liberdade para expor o próprio treino e dieta. E, de acordo com a nutricionista, essa exposição pode até ser benéfica.  

— Muitas blogueiras, postando fotos dos treinos e do corpo antes e depois, incentivam as pessoas a também mudar os hábitos para alcançar o corpo desejado.  

Entretanto, cabe aos leitores interpretar as dicas como estímulo, e não manual de instruções.  

— A ideia do blog é compartilhar informações bacanas, que ajudam as pessoas, mas a partir do momento que essas indicações interferem na saúde alheia se tornam ruins, e em algum casos podem até ser identificadas como exercício ilegal da profissão, já que a maioria dessas blogueiras não possui a formação de nutricionista ou profissional de educação física.  

Polêmica nos blogs  

O questionamento sobre a credibilidade das meninas que, embora bem-intencionadas, não são qualificadas para dar certos “conselhos” veio à tona nas redes sociais depois dos posts da livreira Nina Vieira, de 21 anos, publicados em janeiro. Neles, a jovem põe à prova a confiabilidade das publicações de Gabriela Pugliesi, autora do Tips4Life.  

Gabriela tem mais de 540 mil seguidores no Instagram e mostra toda a rotina saudável e diet aos leitores: os exercícios da academia, o prato do almoço, os suplementos e as receitas de shakes e outras guloseimas para quem não quer ganhar nem um grama. Nos textos, ela incentiva as seguidoras a deixar a preguiça de lado para secar, definir os músculos, mudar os hábitos alimentares.   

Mas a honestidade dos posts foi questionado por Nina e em tumblrs como o Explica, Pugli!, que acusam a blogueira de fazer propaganda velada. Ou seja: segundo as publicações, algumas das dicas de Gabriela são anúncios pagos pelas marcas, mas colocados no blog e no Instagram sem qualquer sinalização, para que o leitor acredite que a autora usa cada um dos produtos anunciados e, assim, a divulgação ter melhores resultados.  

Incomodada com a suposta falta de sinalização das propagandas no blog, o que tira a credibilidade das dicas da autora - que também não é profissional de nutrição ou educação física - Nina decidiu publicar alguns questionamentos.  

— Sei que muitas blogueiras fitness fazem isso mas, de todas elas, a Pugliesi é uma espécie de símbolo: ela é a mais vista, a mais comentada, a que mais lucra com essa exposição. Então, questionei apenas a honestidade dela em não sinalizar a propaganda. Eu não quis atingir a pessoa Gabiela Pugliesi, eu quis atingir o símbolo Gabriela Pugliesi.  

A repercussão do post sobre o tema, supercompartilhado nas redes sociais, surpreendeu a autora.  

— O interessante desse post é que ele gerou outras discussões. Por exemplo: se um nutricionista não pode passar dieta pelas redes sociais, por qual motivo uma blogueira pode? Quem fiscaliza isso? Se um nutricionista faz isso é anti-ético. Mas e a blogueira? Existe punição?   

No blog, Gabriela afirmou que todas as dicas são espontâneas e os anúncios são devidamente sinalizados. Ao R7, Alexandre Lima, assessor de imprensa da blogueira, afirmou que toda a polêmica em torno da publicidade do Tips4Life não tem fundamento.  

— São pessoas querendo ganhar notoriedade em cima de um trabalho bem feito. Todo post, quando é publicitário, é sinalizado.  

Discussão antiga  

Esse tipo de debate não é novidade no mundo dos blogs. Em 2012, o Conar - Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária advertiu blogueiras de moda como Thassia Naves, do Blog da Thassia, e a rede de lojas Sephora pela publicação de posts pagos sem sinalização. Embora a loja e as autoras dos blogs negassem qualquer publicidade, o Conar recomendou que fossem mais transparentes nas publicações.

Priscilla Rezende, conhecida nas redes sociais como Blogueira Shame e autora do blog Shame on You, Blogueira, foi uma das leitoras dos blogs a denunciar os supostos publiposts. Para ela, esse tipo de prática ainda é frequente nos blogs, e justamente por ser pouco questionada.  

— A culpa é da blogueira que aceita fazer o trabalho sujo, da agência que a obriga a não sinalizar que é publicidade e das marcas que ainda insistem em investir nessas meninas sem ética, caras de pau. É frequente porque ainda existe muita gente burra que acredita nessas blogueiras mentirosas.  

Aos leitores de blogs que não sinalizam propagandas, a recomendação é que, além de não seguir as dicas, boicotem a publicação.  

— Deixem de acessar os blogs e denunciem ao Conar e ao Procon.   

 

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